Ética na utilização da Inteligência Artificial

 

Inteligência Artificial

 

Ética. Esse é um dos principais conceitos da sociedade moderna e, ao longo do tempo, cada vez mais vem sendo exigida, quanto mais evolui a sociedade.

Hoje é impensável imaginar que uma empresa, uma instituição ou mesmo um indivíduo ajam em absoluto proveito próprio, ignorando os preceitos básicos da ética, embora seja muito mais frequente do que se imagina.

E se as discussões nos diversos campos de interação humanos visam buscar sempre caminhos mais éticos, que dirá no campo da Inteligência Artificial. Afinal, estudos filosóficos demonstram que o homem pode aprender a ser ético, mas o que fazer quando o computador aprende, através de análises de algoritmos, determinadas respostas diante de certos gatilhos? Como ensinar o conceito de moral a uma máquina?

Esse questionamento já vem ocorrendo há muito tempo, desde que se percebeu que quando você permite a um equipamento que utilize ferramentas para se aprimorar a cada nova operação, gerando uma resposta melhor, você pode ‘ensiná-lo’ a responder da mesma forma que o homem, mas não pode incutir nele os valores éticos e morais que muitas vezes impedem que ele aja a partir do mesmo estímulo.

Em abril de 2019, a Comissão Europeia editou um guia prático de ética na utilização da Inteligência Artificial, estabelecendo diretrizes para o uso dessas tecnologias. Intitulado “Ethics Guidelines for Trustworthy AI”, o guia traz uma série de orientações. Uma delas estabelece que, embora a IA pressuponha uma certa ‘autonomia’ das máquinas, em hipótese alguma a aplicabilidade dessa tecnologia pode ficar sem supervisão e intervenção (quando necessário), sob pena de acabar interferindo na autonomia humana.

Outro conceito do guia é o da privacidade. Numa época em que os dados pessoais são divulgados, manipulados, registrados e reproduzidos pelas máquinas sem que as pessoas possam opinar sobre isso, a falta de respeito ao conceito de privacidade é muito perigoso, mas informação é poder. De posse de determinadas informações, pode-se prejudicar muito uma pessoa ou um grupo. Apesar de já existirem, em todo o mundo, várias leis de proteção de dados pessoais, a questão da ética na manipulação desses dados continua sendo fundamental.

Mais uma orientação do guia é a transparência, que deve permear, segundo o documento, todas as fases do processo: a compilação dos dados, a que tipo de negócio servem e o sistema a que se submetem. É a transparência que garantirá que o usuário saiba o que pode ser feito com seus dados e ter o poder de aceitar ou não.

O guia traz ainda várias outras diretrizes, que são interessantes e conseguem, quando seguidas, evitar erros e abusos na utilização da IA.

Inteligência Artificial e ética: Uma questão mundial

Além da Europa, outros países também estão preocupados com o tema. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Universidade de Stanford criou um centro de pesquisa para reunir estudiosos para construírem e alterarem políticas públicas, além de cientistas e estudantes que elaborem essas tecnologias desde agora e também para os próximos anos que tenham interesse em criar um compliance de conduta ética e moral para a utilização da Inteligência Artificial.

No Brasil, não é preciso lembrar que a Lei Geral de Proteção de Dados, que acaba de entrar em vigor, tem justamente o objetivo de cercear todas as atividades que dizem respeito à produção, armazenamento, manipulação e divulgação de dados sem a autorização expressa do titular dos dados.

Essa lei tem, entre outros fins, evitar abusos, coibir crimes e punir aqueles que empregam tecnologias como a IA sem uma veia ética para norteá-los.

Infelizmente, como essa tecnologia ainda está se aprimorando dia após dia, muito terá de ser feito para que haja mais valores morais na sua utilização.

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2020-10-06T12:44:48-03:00